Cinco dicas para veterinários4 min para ler

Técnicas simples que proporcionam maior conforto para animais, tutores e profissionais.

Ao trabalharmos na área pet, seja com saúde, beleza ou comportamento, estamos sujeitos a interagir com animais de diversas naturezas e individualidades, o que nos leva à responsabilidade de sabermos lidar com esses arquétipos e aumenta diariamente os nossos desafios.

Não é incomum que estes pets cheguem até nós com medo, o que pode levar a uma situação de agressividade não segura aos profissionais.

Situações como vacinas, exames de rotina, toques em partes em que o bicho não está habituado, escovar, secar, entre outras atividades, causam estranheza e podem levar o animal a morder acidentalmente o profissional.

No entanto podemos aplicar algumas técnicas simples durante o nosso trabalho, que tornarão as situações mais confortáveis para os animais, para os seus tutores e para nós, profissionais. Veja as dicas.

 

1. O primeiro contato

Em diversos casos, o cachorro, o gato ou outro pet podem ficar receosos por estarem em um ambiente não habitual, como clínicas veterinárias ou pet shops. É interessante mantermos eles tranquilos, transmitindo boas vibrações e os acostumando ao local, que pode ser a mesa para consulta, o tanque do banho ou a própria recepção.

Com o pet na guia, ofereça alguns petiscos (de acordo com a espécie e somente após consultar o tutor). Tenha sempre à disposição alguns biscoitos, petiscos, pedaços de legumes, frutas frescas, entre outros.

Se aproxime do pet de forma agradável e calma e ofereça a recompensa, para que ele sinta mais segurança em você e neste local específico. Caso ele esteja com muito medo e aja de forma agressiva, conte com a ajuda do tutor para que este contato seja seguro e interessante para todos. Lembre-se de respeitar o animal e não ultrapassar os seus limites.

 

2. Uso de focinheira e guias

Caso seja necessário o uso de focinheira, conte com a ajuda do tutor (ou auxiliar) e mantenha o pet na guia.

Escolha um modelo (cesta, nylon ou tecido) e tamanho adequado e coloque-a de maneira segura, de frente com o animal. Caso ele não o veja, estando atrás ou em volta dele, o ataque pode ocorrer de forma mais inesperada, pois ele entenderá que você é um elemento surpresa. Enquanto uma pessoa pode segurar o animal na guia, deixando livre apenas um comprimento de segurança, outra pode colocar a focinheira com o auxílio de um petisco saboroso. Use uma luva, caso sinta mais segurança.

Com a mão na frente do objeto, ofereça o petisco. Com a outra mão, feche a focinheira. Se estiverem em três pessoas, cada uma pode realizar uma das atividades citadas.

Lembrando que a focinheira é para uso de segurança, não deve machucar o cão.

Obs.: É obrigatório o uso de focinheira em algumas raças no Brasil. Porém, se o cão for agressivo, o equipamento deve ser usado independentemente da raça.

 

3. Beliscos e carinhos

Para situações que envolvam agulhas, como as vacinas anuais e exames de sangue, mantenha o animal tranquilo.

Coloque ele com calma na posição adequada, para a realização da atividade médica, e com a ajuda do tutor faça carinho e dê leves beliscos na pele do animal em pontos próximos às costas.

Isso fará com que a atenção do pet seja voltada para aquele ponto, tirando o foco do local da picada – o que não o deixará desprevenido, mas sim receptivo à picada da seringa.

É extremamente comum encontrarmos cachorros com medo de banho e pet shop. Muitos, inclusive, saem correndo ao passar na porta desses locais. O grande vilão geralmente é o barulho que o secador ou a cabine e estufa de secagem fazem.

Enquanto os humanos ouvem frequências entre 16 e 20.000 Hz, um cão pode ouvir entre 10 a 40.000 Hz, ou seja, a audição deles é muito mais sensível. Se achamos que um som é alto, com certeza para eles é bem pior.

Uma dica é utilizar um pouco de algodão seco no canal auricular externo do cão, abafando o som, e optar por aparelhos que não fazem tanto barulho.

Além disso, é possível treinar os sons encontrados nessa situação no dia a dia, com a ajuda de um adestrador. Informe o tutor sobre esta possibilidade e evite problemas futuros.

 

5. Não me toque

Diversos animais, mesmo não sentindo dor na região específica, fazem um alvoroço ao serem tocados durante a consulta. Quando estão com dor, a situação piora consideravelmente.

Seja um gato, um coelho ou cão, alguns indivíduos não estão acostumados a terem suas orelhas, patas e rabos tocados, o que os leva a gritarem ou agirem de forma agressiva neste contato.

Aproxime-se aos poucos do pet e observe por onde o tutor o segura e onde o toca. Troque a sua atenção por uma recompensa apetitosa e sempre que tocá-lo, elogie e o recompense. Isso fará com que o bichinho dessensibilize aos poucos este toque e, consequentemente, você conseguirá fazer de forma mais tranquila o seu trabalho.

 

Thaís Cajé é adestradora e franqueada da Cão Cidadão.

 

 

 

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