Os hábitos de conteúdo mudaram?

Em 2018, a pesquisa de Hábitos de Conteúdo, realizada pelo Opinion Box e Contentools, trouxe algumas mudanças bem significativas em relação ao ano anterior.

A primeira delas diz respeito ao uso de redes sociais. Uma rede vem perdendo espaço entre os internautas e outra está crescendo. Consegue adivinhar quais são?

Outro dado relevante que a pesquisa traz é sobre as fake news. Para você ter uma ideia do tamanho do problema, pense em todos os seus amigos do Facebook. Em média, 12% deles compartilham fake news. Diferenciar o que é verdade do que é mentira vai se tornando um desafio cada vez maior.

Os dados e informações dessa pesquisa são bem relevantes aos produtores de conteúdo, às marcas com presença digital e às empresas que querem entender melhor o comportamento do consumidor. Para tal, foram entrevistados 2.000 consumidores que acessam alguma rede social regularmente, respeitando as proporções de renda, idade e gênero deste grupo. A margem de erro da pesquisa é de 2,2pp e o intervalo de confiança é de 95%:

 

Os altos e baixos das redes sociais

Quando pensamos no mundo digital, em um ano, muita coisa pode acontecer. A pesquisa nos mostrou que, em 12 meses, os hábitos de redes sociais dos internautas brasileiros mudaram bastante. A mudança mais significativa é a queda do Facebook e o crescimento do Instagram. Além disso, o YouTube teve um leve aumento. Já o Twitter, Snapchat, Pinterest e Google+ se mantiveram estáveis, por serem redes sociais que têm um público seleto, porém fiel o número de usuários que acessam as redes diariamente. O LinkedIn não teve um crescimento significativo entre os usuários que acessam a rede diariamente, mas entre os que acessam pelo menos uma vez por semana, o número aumentou de 17% em 2017 para 22% em 2018.

Marcas e empresas que possuem páginas nas redes sociais devem ficar atentas: 59% dos usuários de redes sociais já deixaram de seguir uma marca porque consideraram algum conteúdo ofensivo – seja agressivo, machista, homofóbico ou racista. Como também, 72% desses entrevistados já deixaram de seguir uma pessoa pelo mesmo motivo.

 

Fotografia: a preferência nacional

A fotografia continua sendo o conteúdo que os brasileiros mais gostam de ver, mas os vídeos cresceram substancialmente nos últimos 12 meses. Estamos entrando na era do vídeo e as empresas investem, cada vez mais, neste formato para se relacionar com seus clientes.

Além disso, com o consumo de informações se tornando efêmero, foto é o formato de conteúdo favorito dos internautas brasileiros: 4 em cada 10 preferem ver fotos do que ler um texto ou ver um vídeo; e mais da metade compartilha e posta mais fotos do que qualquer outro formato de conteúdo.

Não é à toa que o Instagram esteja crescendo tanto no país. Quando foi realizada a primeira edição dessa pesquisa, a batalha entre o Snapchat e o Instagram estava no princípio, e não se sabia de quem seria o grande vencedor. Hoje, já não restam mais dúvidas: o Instagram é um sucesso, ao passo de que muitos brasileiros se despedem da rede social do fantasminha. Os dados da pesquisa revelaram que 1 em cada 5 usuários do Instagram só veem os Stories (Momentos), ou veem mais os Stories do que o Feed (Linha do Tempo).

Além disso, 16% assistem todos os Stories e 38% assistem a maioria. Para você ter uma percepção do impacto, em 2017, 7% assistiam a todos os Stories e 16% assistiam a maioria. As outras redes sociais de Mark Zuckerberg, como o Facebook e o WhatsApp, se empolgaram com a novidade e também criaram suas próprias ferramentas de vídeos efêmeros. No entanto, o sucesso não foi o mesmo: 23% não assistem aos vídeos ou nem assistem todas as histórias ou a maioria delas.

 

Texto ou textão: eis a questão!

Segundo a pesquisa, 26% dos internautas afirmam que texto é o formato de conteúdo que eles mais gostam. No entanto, 24% dos entrevistados disseram que é muito raro clicar em um link de matéria ou post que aparece em suas timelines. Normalmente eles só leem a manchete. Apesar de esse ser um padrão compreensível em meio às toneladas de conteúdo que passam diante de nós diariamente, ler apenas a manchete é um comportamento preocupante se a pessoa toma aquela uma frase como verdadeira, sem se aprofundar no tema. Essa acaba sendo uma forma indireta de se disseminar fake news e gerar desinformação.

Outro dado importante é que 4 em cada 10 entrevistados afirmam que, se o texto é muito longo, eles não chegam até o fim da leitura; e metade dos entrevistados declaram que detestam os famosos “textões” do Facebook. Uma saída para quem quer que o seu cliente ou futuro cliente chegue até o fim do conteúdo é oferecer o material para download, já que 33% dos internautas entrevistados concordam que preferem baixar textos mais longos ou complexos para ler em outro momento.

Em suma, os meios digitais continuam superando os meios físicos como plataforma de leitura. Assim como em 2017, 6 em cada 10 internautas leem conteúdo apenas ou predominantemente em meios digitais. Saiba que 34% dos internautas escolheram o vídeo como formato de conteúdo preferido. Esse número é 14 pontos percentuais (pp) maior em relação a 2017. Esse é um dado relevante tanto para as empresas que produzem conteúdo e veículos de comunicação quanto para as empresas de telefonia: com o aumento do consumo de vídeos, o uso de banda também vem aumentando a cada ano. Será que a qualidade da nossa internet acompanha essa tendência?

 

E os vídeos?

Os canais de vídeos variam: 49% costumam assinar canais no YouTube, 21% assistem todos os vídeos que recebem pelo WhatsApp, independentemente do assunto, e 22% assistem até o fim todos ou quase todos os vídeos que aparecem na sua timeline. A preferência pelos vídeos como material educativo aumentou ligeiramente de 2017 para 2018. Se em 2017 49% preferiam ver um vídeo do que ler um texto para aprender alguma coisa, agora este número aumentou para 56%.

 

Fake news: cuidado para não se tornar um hábito

Com relação às preocupantes fake news, enquanto governos, empresas e veículos de comunicação afirmam que estão em busca de uma solução para o tema, 12% dos internautas afirmam que compartilham conteúdo mesmo sem ter certeza se ele é verdadeiro ou não. O número cresceu um pouco em relação a 2017, quando 9% afirmavam isso. Este é um dado bem alarmante, já que nos últimos meses o tema ganhou muito destaque na mídia e nas próprias redes sociais, mas parece não ter surtido qualquer efeito no comportamento dos internautas.

Para ter uma dimensão do problema, basta pensar que, se uma pessoa tem 500 amigos no Facebook, 60 deles publicam conteúdo falso.

O que fazer quando isso acontece? 85% dos que passaram por essa situação disseram que apagaram o conteúdo, sendo que 36%, além de apagar, desmentiu a informação. 9% deixou o conteúdo publicado, mas desmentiu as informações nos comentários e 6% não fizeram nada. É fácil perceber também que muita gente acaba compartilhando fake news sem nem se dar conta disso. Uma em cada 10 internautas afirma que compartilham conteúdo sem ler, só por causa da manchete ou do título. E a mesma quantidade não concorda nem discorda dessa afirmação, ou seja, são pessoas que provavelmente também o fazem. Os dados, em conjunto, revelam que a questão das fake news é um problema extremamente grave e longe de ser resolvido.

Inbound Marketing: novas ideias, novos clientes

Aqui vai um dado muito positivo para você que trabalha com marketing digital: 61% dos internautas já baixaram algum conteúdo gratuitamente, em troca de informações pessoais. Esse número cresceu 6 pontos percentuais de 2017 para 2018. Considerando que a pesquisa é feita com internautas em geral, e não pessoas do universo de marketing digital, esse é um dado bem relevante.

Concluímos que a pesquisa sobre Hábitos de Conteúdo 2018 destaca o crescimento do vídeo e das redes sociais que exploram esse formato, como o YouTube e o Instagram, que, com os Stories, deixou de ser uma rede apenas de fotos para ser também uma rede de vídeos. Mas, mais importante do que o formato, o que importa mesmo é a qualidade do conteúdo. Ninguém quer perder tempo com textões que não interessam e já não há mais espaço para as marcas errarem em relação ao seu posicionamento diante de temas como orientação sexual, raça, gênero e outros.

Marcas e pessoas que querem explorar o marketing de conteúdo e conquistar leitores, espectadores, seguidores ou clientes devem se preocupar muito mais com a qualidade e originalidade do seu conteúdo do que apenas com o formato.

É importante também ficar atento às tendências. A relevância que o Instagram vem ganhando, tanto no seu feed quanto no Stories, abre oportunidades interessantes para marcas e empresas. Já a questão das fake news vem se mostrando um problema cada vez maior. Internautas e empresas devem ter uma atenção excessiva não só com o que postam e compartilham, mas também com o que leem nas redes sociais.

É preciso também ter em mente que o combate à fake news é dever de todos. Por isso, não compartilhar matérias sem ler, não confiar em manchetes sensacionalistas demais e não postar aquilo que não tiver certeza se é verdadeiro são boas práticas que devem ser seguidas por páginas e perfis de todas as redes sociais. Prepare matérias específicas ao seu negócio com características próprias e alcance os usuários de maneira sábia e com informações pertinentes para atrair, cada vez mais, novos clientes. Sucesso!

 

Francis Magno Flosi é professor, médico-veterinário, acadêmico da Academia Campineira de Letras, Ciências e Artes das Forças Armadas, diretor-presidente do Grupo Qualittas e presidente da ABVET (Associação Brasileira de Veterinários Especialistas).

 

 

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