Profissão: Adestrador10 min para ler

Empresas de adestramento: um negócio lucrativo e em alta.

Hoje em dia, as famílias optam sempre por cães que tenham costumes os mais domésticos possíveis. As casas ficaram menores, os espaços para brincadeiras e necessidades delimitados por conta do espaço e assim a necessidade de profissionais que adaptem os animais de estimação a essa nova realidade dos tutores modernos só aumenta e é aí que entra o adestrador. Uma profissão que está em ascendência e que tem uma gama variada de atuação.

Abrir uma empresa de adestramento de cães no Brasil atualmente pode ser uma ótima pedida para quem curte animais e tem dinheiro para investir. Existe mercado, a procura por empresas que prestam este serviço cresceu mais e hoje em dia deixou de ser uma tarefa complicada.

O empresário não precisa ser um especialista no universo animal, basta ter amor pelos animais ou ao menos apreço e interesse em se dedicar ao progresso comportamental daqueles que são considerados os melhores amigos do homem. “Não basta gostar de animais para ser um bom adestrador. O adestrador precisa ser um profissional completo na área de prestação de serviços, que envolve muita dedicação, organização e comprometimento, afinal, lidamos com a educação de um membro da família e diretamente com o público dentro da casa dos clientes, na maioria das vezes”, enfatiza Daniel Svevo, veterinário e sócio de Alexandre Rossi na Cão Cidadão, uma das empresas mais conhecidas do ramo.

Alguns adestradores tornam-se empresários no ramo por conhecer o segmento, mas isso não quer dizer que um empresário leigo no assunto não possa aprender, basta apenas estudo sobre o tema e um bom plano de negócios para investir o seu dinheiro corretamente na empresa de adestramento de cães.

Como toda empresa, precisa de planejamento, mas nada fora do normal que não possa ser moldável.

Com o grande número de especialistas participando de programas na televisão, incluindo os realities shows, nos quais são mostrados truques de níveis simples e avançados, o interesse dos donos de cachorros em treinar ou somente domesticar o animal aumentou consideravelmente e abrir uma empresa de adestramento de cães passou a ser um dos investimentos mais lucrativos no mercado nacional. Portanto é preciso ficar atento ao nível e comprometimento do profissional que está sendo colocado no mercado.

“Pelo fato de hoje não existir a formalização da atividade de adestramento, o mercado é abastecido por profissionais que não necessariamente tiveram uma formação adequada. Existem diversos cursos de excelentes profissionais, mas poucos são profissionalizantes. Aqui, na Cão Cidadão, oferecemos a formação para quem deseja entrar na franquia e o treinamento inicial gira em torno de 4 a 6 meses. Em seguida, o profissional conta com um suporte técnico constante, enquanto ainda adquire experiência”, explica Daniel.

Os donos de animais procuram a empresa de adestramento de cães geralmente porque querem um animal com melhor convívio social, que saibam passear na rua sem causar problemas ou não invertam os papéis: os cachorros arrastando os donos na rua porque estão vendo outro animal ou algo interessante, quando deveria ser ao contrário. “Um bom adestrador treina junto com a família e passa as informações e orientações para que quem convive com o pet saiba qual atitude tomar quando estiver sozinho, sem o profissional”, adverte Maria Lúcia Alves, franqueada da Cão Cidadão.

Há ainda os donos de cães de competição que procuram a empresa de adestramento de cães para que o animal possa desfilar e precisa que estes sejam altamente domados para se comportar em grandes multidões sem causar problemas. “A dificuldade maior para o profissional é adaptar tudo o que seria recomendável para o sucesso de determinado caso ou problema, dentro das possibilidades do tutor, que normalmente são disponibilidade financeira de investimento, tempo, ambiente, etc. Se o profissional não for experiente ainda, terá dificuldade para alinhar a expectativa de resultado  do programa de treinos com o que o tutor espera que aconteça, gerando uma percepção de que o adestramento não funciona. Minha recomendação é que se faça um alinhamento muito detalhado dos objetivos a serem alcançados e que se verifique as possibilidades para chegar o mais próximo do ideal. É muito importante que os tutores estejam envolvidos com os treinos para que deem certo”, comenta o sócio da Cão Cidadão.

Para cada necessidade de um tutor existe um tipo de adestramento para o animal. Na empresa de Daniel são usados alguns métodos para ensinar os profissionais ali formados. “Existem muitas metodologias de ensino. Mas, a grosso modo, eu dividiria o adestramento em duas metodologias: Aprendizado por reforço negativo – realiza-se a ação/treino para evitar ou aliviar um desconforto. Aprendizado por reforço positivo – realiza-se a ação/ treino para o cão receber algo prazeroso para ele e ter estímulo para aprender e fazer o que é esperado dele”, explica Daniel.

O método mais simples para abrir uma empresa de adestramento de cães é recorrer a uma franqueadora deste tipo de serviço, o que já existe no Brasil: diversas opções no mercado oferecendo diferentes tipos de negócio dentro deste universo. Caso seu poder de investimento no negócio seja baixo, existe a opção de se juntar a uma franquia que o transformará em um instrutor canino e os serviços serão oferecidos na residência do cliente ou em locais públicos.

“Na Cão Cidadão, proporcionamos um ambiente rico no que diz respeito à atualização. Os profissionais contam com reuniões semanais de discussão de casos, grupo on-line de discussão, além do GEC (Grupo de Estudos Científicos), que estuda, analisa e compartilha novidades sobre diversos assuntos relacionados a pets nos materiais internos que disponibilizamos. Duas vezes por ano os franqueados também contam com workshops internos de reciclagem com o especialista em comportamento animal Alexandre Rossi e com convidados relevantes da área”, conta o sócio da Cão Cidadão.

Entretanto a empresária Maria Lúcia Alves faz uma alerta, que é preciso de muita persistência e força de vontade para se garantir no mercado. “No início da minha carreira faltou experiência, mesmo eu tendo realizado todas as etapas do treinamento oferecido pela Cão Cidadão. Mesmo com toda a bagagem que já tinha, não é possível ter experiência em todas as situações. É comum que surjam dúvidas principalmente quando se é nova na área. A vantagem de trabalhar com uma equipe estruturada é que temos uma rede de comunicação onde é possível trocar experiências e tirar dúvidas. Isso facilita o atendimento ao cliente oferecendo uma alternativa específica de treino para o caso dele, aumentando assim a confiança no adestrador”, avalia Alves.

Caso o profissional não queira se aliar a nenhuma franqueadora, se tem a opção de “desenhar” o teu próprio negócio. Para isso, basta fazer um curso em alguma escola de adestradores de cães ou montar um centro de treinamento, contratando profissionais especializados no trato canino e assim lançar a sua nova marca neste mercado tão promissor e rentável.

Para quem quer se tornar um empresário e dono do seu próprio negócio, basta primeiro fazer o processo simples de abrir uma empresa com CNPJ na Receita Federal, registro na junta comercial e também nos órgãos específicos de proteção aos animais para que se prove que o empreendimento segue as leis contra os maus-tratos.

“Pelo fato de hoje não existir a formalização da atividade de adestramento, o mercado é abastecido por profissionais que não necessariamente tiveram uma formação adequada. Acredito que ainda exista a necessidade de estipular uma barreira que garanta a formação adequada para se trabalhar com adestramento ou comportamento. Esta é uma área multidisciplinar e sinto falta de uma união das classes para atingir os objetivos”, alerta Svevo.

O adestramento vai de acordo com o perfil da empresa, podendo ser de apenas um cachorro por hora ou se montar grupos com os donos para que se aprenda em conjunto. Ou ainda trabalhar em pet shops, hotéis, dando auxílio aos tosadores, em clínicas veterinárias para ensinar aos veterinários técnicas que os auxiliam no trato com os animais, entre outras áreas. “Além do trabalho com as famílias e seus pets, os adestradores podem atuar com animais de trabalho, como os cães-guia e de assistência, além de poderem trabalhar com cães farejadores, de guarda ou de resgate.

O adestrador é um parceiro do veterinário. A intenção é que trabalhem juntos no treinamento dos animais para resolver problemas comportamentais. Um animal mais tranquilo e confiante certamente dará menos trabalho no momento de uma consulta do que um animal medroso ou inseguro. Os banhistas e tosadores podem aprender técnicas de segurança e de cuidados para exercer uma atividade que cause menos estresse, como ocorre com muita frequência durante o banho. Os veterinários, por sua vez, também podem adaptar seu atendimento para proporcionar uma experiência mais agradável ao pet durante a consulta e conseguir realizar seu trabalho com mais tranquilidade e segurança”, enumera Daniel.

Um curso muito relevante é o Conoec, onde você terá cursos e palestras com os maiores adestradores do mundo. Neste curso, o aluno entrará em contato com algumas disciplinas, tais como equipamentos tradicionais e novidades do setor, agressividades, atividades, comando por reforço, entre outras.

De acordo com o sócio da Cão Cidadão, a remuneração de um tosador pode variar de 4 a 12 mil reais, isso vai depender muito do tipo de treinamento, da qualificação do profissional e da capacidade de ensinamento, além, é claro, da região em que se trabalha.

Capital inicial necessário para se investir nesta área e ter seu próprio negócio, de acordo com o site Novo Negócio, é de aproximadamente R$ 8 mil. Infelizmente prever-se um tempo de retorno mais longo que os demais modelos de empreendimento, podendo chegar a mais de dois anos em alguns casos. (Fonte: http://www.novonegocio.com.br).

A revista Exame recentemente fez um levantamento com a ajuda da Holipet, empresa de marketplace especializada em pets, e listou as 7 profissões para quem é apaixonado por animais e a de adestrador foi citada e ficou em segundo lugar no ranking.

Num país que, segundo o IBGE, abriga cerca de 132 milhões de pets não é de se espantar que profissões ligadas a esse universo estejam em alta. Sobretudo em meio à rotina agitada das grandes cidades, os donos investem cada vez mais dinheiro em serviços que promovam o bem-estar dos bichos. Veterinários, adestradores, psicólogos de animais e “pet sitters” que o digam. Por serem cada vez mais bem tratados, os bichos de estimação também vivem mais. Graças ao aperfeiçoamento de vacinas e rações, sua expectativa de vida aumentou 20% nos últimos 10 anos.

Basta escolher a área e investir, sobretudo em conhecimento e aprimoramento, que com certeza o profissional conquistará seu lugar ao sol. “A pessoa que escolher ser adestradora não pode só gostar de cães e de gatos, que isso fique bem claro. Ela precisa procurar conhecimento através de cursos e entender a diferença entre métodos. É importante saber que o profissional não está na casa do cliente apenas para brincar com o filhotinho fofo. Ele precisa realmente ser capaz de ensinar os tutores a lidarem com todas as suas necessidades com o pet em questão”, conclui Maria Lúcia.

 

 

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