As perspectivas do mercado pet4 min para ler

Quem teve oportunidade de visitar a Pet South America este ano deve ter notado algumas nuances de mudança no ar.

As mudanças começaram pela própria feira que em 2018 trouxe novidades no formato de apresentação do espaço Vet, demonstrando claramente que deseja retomar a qualidade e o volume de visitação que tinha nos áureos tempos. Quem visitou a Pet South America há uns 9 anos para mais sabe do que estou falando.

Portanto, investiram em montar uma feira diferente, visando o futuro e também tornar-se atrativa para antigos expositores que debandaram. Não é barato participar de feiras e as empresas cortaram bastante seus orçamentos com esses eventos, salvo exceções.

Pois bem, no perfil dos expositores, notei um volume maior de empresas da área de tecnologia com soluções para gestão, clínicas, etc., assim como diversas empresas oferecendo acessórios, alimentos e outros produtos com foco natural ou mais natural em sua composição.

Essa tendência, na minha opinião, é caminho sem volta e reflete o que já acontece na área humana com os orgânicos, materiais alternativos e reúso de produtos e também fora do Brasil na área pet.

A intensidade desse perfil de produtos no Exterior é gigante e ainda tem espaço de sobra para quem quiser desenvolver algo com essa proposta. Notei vários expositores com acessórios diferenciados, produtos com design e materiais mais elaborados.

Como sabemos que as pessoas têm sido mais exigentes com o que consomem, nada mais natural do que subir o grau de exigência com o que usam com seus pets. Já foi aquele tempo que acessório podia ser feio, com tecido estampado de mau gosto, cores nada a ver e mal acabados, todo mundo quer receber mais pelo seu dinheiro, inclusive produtos mais bonitos.

Falando nisso, a questão de segurança e qualidade também estão mais presentes nos itens apresentados, fiquei com a impressão que até que enfim começa um movimento sutil de evolução no mercado.

Sou muito exigente e penso que certas coisas já deveriam existir por aqui há muito tempo, tanto conceitos e serviços como produtos. O engessamento nas questões que regulam a alimentação por aqui, por exemplo, não permite o uso de métodos mais modernos e diferenciados que existem em outras partes do mundo.

Sob a ótica da estética, tive a impressão que apesar do mercado nacional ser baseado nela, e o espaço estar cheio, que não esteve tão intenso como na última edição da feira; posso estar enganado, mas nos momentos que passei pelo espaço não estava entupido como antes. Por outro lado, tivemos lançamentos interessantes das linhas, reforçando a pujança dessa atividade no segmento.

A menor intensidade de laboratórios e indústrias de alimentos em comparação ao passado me leva a crer que decidiram investir no ponto de venda com mais energia e menor custo, mas sempre fica no ar a expectativa de novidades.

Creio que tenhamos uma evolução mais perceptível no segmento após as eleições e a considerar o resultado delas. Tem bastante gente segurando recursos para ver o que vai dar e isso tem um efeito terrível porque não contribui para reduzir a crise e reduz a velocidade de recuperação do mercado. É evidente que o risco num patamar alto como está fica fora de cogitação ampliar investimentos, lançar produtos e serviços e até mesmo abrir novos negócios de maneira mais ampla.

Considero que um resultado nas urnas que traga um pouco de segurança e estabilidade torne a próxima edição da feira mais agitada, maior e com mais lançamentos. No segmento pet, como em outros, quem está sempre buscando melhorar tende a sofrer menos, ou seja, quem investe em treinamento, novos produtos, serviços e não se permite estacionar consegue atrair mais clientes e fica mais perto de manter o faturamento e até mesmo crescer.

Nosso mercado carece de profissionalismo em diversas frentes e, da mesma forma, penso que apenas com as mudanças mencionadas é que teremos algo novo nesse aspecto, incrementando seus resultados e sua atratividade.

Por falar nisso, com o segmento pet estando cada vez mais competitivo e exigente, teremos um ponto delicado se não ocorrer crescimento econômico, porque as empresas estabelecidas sofrerão com a redução do consumo por conta do desemprego e endividamento. Não sou pessimista, mas não posso deixar de abordar essa realidade.

O segmento pet conseguiu sair vivo do furacão, agora precisa ter forças para se manter e crescer. Quem aposta como será o crescimento no curto prazo?

Espero que seja bom e beneficie a todos nós que lutamos bravamente durante todos esses anos por um mercado mais maduro, profissional, rentável e menos suscetível a aventureiros e palpiteiros de plantão que nunca gastaram sola de sapato trabalhando com afinco.

Sucesso e um abraço!

Jefferson Braga é fundador da PetCon$ult, consultor sênior com formação em Administração e pós-graduações em Gestão e Administração Financeira e Controladoria. Ministra palestras, treinamentos e aconselhamento empresarial pelo Brasil, atuando desde 2000 como consultor do segmento.

jefferson@petconsult.com.br

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