Tendências Pet da Década 2020 a 2029 – Parte 4

No início da década atual, o médico-veterinário Dr. Ronald Glanzmann foi convidado para proferir palestra na Sacavet da USP sobre o tema “Tendências da Década”.

Chegamos à última parte da matéria, onde o leitor vai encontrar as opiniões finais de quem faz a diferença no segmento animal e tirar suas conclusões sobre as tendências do mercado pet.

Quem se preparar para a nova década, que ao que tudo indica será muito próspera e cheia de novas oportunidades, como sempre estará preparado e bem informado, sairá na frente e aproveitará melhor tudo o que a nova fase promete!

Opiniões das pessoas que movem o mercado pet

“O mercado mundial de alimentos para pets tem caminhado para produtos mais naturais sem colorantes ou conservantes, e com altos percentuais proteicos, além da introdução de funcionalidades.

Cada país está em estágio diferente de sofisticação, mas a tendência é única.

Os Estados Unidos e a Europa, por exemplo, já têm bastante oferta de produtos “grain free” (alimentos com maior teor proteico), mas estes produtos hoje só representam 4% a 5% das vendas. Há um conceito de que para gatos e cachorros, carnívoros por definição, os grãos como soja, milho, entre outros, devem ser minimizados nas suas alimentações. Por outro lado, há também o questionamento de que uma alimentação balanceada, espelhada na alimentação humana, seja mais saudável.

E ainda há o crescimento de alimentos e snacks funcionais. Produtos que irão proporcionar uma vida mais saudável e longeva aos nossos animais de estimação. Não titubeio em afirmar que a alimentação do futuro de nossos animais já está mais evoluída que a nossa própria! De qualquer forma acredito que temos muito que evoluir na questão.”

Elias S. Freire Jr. – International Sales VP – Rush Direct Inc. (Participou nos últimos 3 anos de mais de 30 feiras, 26 fábricas de alimentos para pets em 22 países).

 

“O futuro em transformação do médico-veterinário

Como podemos prever qual o futuro na próxima década ou em 20 anos da Medicina Veterinária? Talvez tenhamos que olhar para dois pontos fundamentais para o futuro: os cursos de Medicina Veterinária e os futuros médicos-veterinários, jovens que já nasceram neste milênio, ou seja, depois dos anos 2000.

É verdade que a transformação digital está muito veloz e, talvez, muito maior do que possamos compreender ou saber como melhor utilizá-la. Neste caminho não poderemos ter o artefato humano, como uma barreira para a evolução e sim como um aliado, que transformará sua forma de pensar e agir conjuntamente com ferramentas que pensam ou resolvem muito mais rápido que a mente humana.

A Medicina Veterinária contém uma gama enorme de áreas em que os profissionais podem se capacitar desde sua empreitada num curso de graduação em Medicina Veterinária, mas para não transformar a conversa em uma mediação futurista e sem rumo, vamos nos concentrar com o que acontecerá com a clínica veterinária, ou seja, com a arte de curar doenças, salvar vidas e transformar a vida no máximo do bem-estar do pet e da família a sua volta.

A revolução digital não foi tão rápida ou rapidamente percebida em décadas, como os anos 70, 80 ou mesmo noventa. Mas com o lançamento dos smartphones a partir do final da década de 2010, nos últimos anos, as mudanças tecnológicas têm ocorrido e sido percebidas em meses.

Sempre afirmei que um bom médico clínico é aquele que conhece muito sobre uma determinada espécie ou grupo de animais, e que ao atender um pet doente teria a possibilidade de enfrentar os degraus necessários para o diagnóstico diferencial de uma doença, e que ao determinar sua forte suspeita diagnóstica poderia instituir um tratamento e então usufruir dos abonos de uma melhora ou cura do seu paciente.

Mas a natureza comportamental dos clientes migrou, da simples segurança ao seu veterinário de confiança, ou seja, da sua clínica preferida, para a internet. Quem diria que em fração de segundos o resultado de um exame poderia ser transmitido via Whatsapp e rapidamente um diagnóstico realizado levaria a intervenções ou decisões mais rápidas e cheias de informações alheias.

O que será do médico-veterinário em 2030? Basta olhar para a migração da maneira que os estudantes atuais estão sendo informados ou formados, através de recursos digitais e ferramentas cada vez mais tecnológicas. Que tal entrar num laboratório de realidade virtual, onde é possível entrar dentro da anatomia do corpo de um cão e ver, entender e perceber o funcionamento dos diferentes sistemas ou órgãos, em contrapartida de uma velha anatomia que era ensinada com peças formolizadas, sem cor, de cheiro desagradável e com baixíssima relação com a realidade.

O que podemos dizer da capacidade de cirurgiões decidirem sobre a melhor forma de intervir sobre uma fratura de um osso de um cão atropelado, através da transformação das imagens tridimensionais de uma ressonância magnética para uma impressora 3D, que imediatamente crie o osso e seu foco de fratura no tamanho real, permitindo assim, a simulação da cirurgia momentos antes de realizá-la.

Aliás, a simulação tem sido objeto de profundas alterações na forma de ensinar, com o aparecimento de ferramentas cada vez mais realistas e que permitem aos alunos que treinem incansavelmente uma manobra ou habilidade, sem o sofrimento animal durante as aulas e com a determinação de gerar segurança ao médico na ação real. A simulação remonta o treinamento dos astronautas das várias missões Apolo, que conquistaram a Lua há 50 anos atrás e nos próximos anos talvez seja inaceitável que um médico-veterinário não tenha se capacitado precisamente na realização de manobras invasivas em animais que necessitem de cirurgias, por exemplo.

Não podemos nos esquecer da Inteligência Artificial (IA), que banhará o dia a dia dos clínicos de tutores dos pets. Considerando a IA como um agente inteligente que perceba o ambiente e que tome atitudes que maximizem as chances de sucesso. Que tal um robô, que ao receber todas as informações daquele paciente relacionadas ao seu histórico e sintomas, descubra numa fração de segundos, utilizando equações algorítmicas, a maior possibilidade diagnóstica, através de informações anteriores do próprio paciente, de animais que já tiveram o mesmo problema e de publicações do mundo científico através de conexões digitais da internet. Portanto será que continuaremos fazendo o diagnóstico?”

Prof. Dr. Neimar Vanderlei Roncati, médico-veterinário, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Universidade Anhembi Morumbi, Health Sciences Specialist – Laureate International Universities

 

“Conversando hoje, dia 17 de agosto de 2019, com um amigo que mora em Cambridge, MA, e faz parte do comitê de moradores responsáveis pela aprovação ou reprovação de projetos na sua comunidade, ele me disse que foram chamados essa semana, pelos administradores do principal shopping de sua cidade, o Cambridge Side Galleria.

Motivo: O shopping está fechando o seu terceiro andar e metade do seu estacionamento que comportam 1.500 carros. Esses espaços serão transformados em apartamentos residenciais e salas comerciais. O shopping ainda não divulgou oficialmente para a população, somente para os lojistas, que já estão fechando e entregando suas lojas à administração.

Motivo: Comércio eletrônico. As compras pela internet cresceram tanto que as lojas físicas infelizmente estão mudando seu foco e migrando para essa atividade. Essa é a tendência para o futuro do mercado pet brasileiro. Recentemente um dos maiores fundos de investimentos do nosso país, o Tarpon, comprou uma grande parte das cotas da primeira pet shop “on-line” do Brasil, a Pet Lov (ex-Pet Super Market), do colega médico-veterinário Marcio Waldman.

Foi um aporte de muitos milhões de reais. Grandes lojas, como a Cobasi e a Petz, eu não tenho a menor dúvida que também passarão a migrar para essa modalidade mudando sua forma de atender aos seus clientes, a operação física está cada vez mais complicada (aluguéis caros, impostos, número de funcionários, etc.). Curioso, antes (lógico, que depois ainda mais!) da abertura da The Pet From Ipanema em 1994, eu viajava para todas as grandes feiras pets do mundo (Chicago, Nuremberg, Milão, Paris, Bologna, Atlantic City, Global, Las Vegas, e inúmeras outras), comecei a perceber que crescia muito a venda via catálogos físicos.

Naquela época o mercado da internet ainda engatinhava. Eu mesmo comprava muito via catálogo. Cheguei a conhecer uma das maiores empresas de vendas por catálogos do mercado pet do mundo, a Pet Edge, e me reuni com sua diretoria, pois tinham interesse no nosso mercado, mas por questões de logística, impostos e burocracia, logo desistiram. O que me impressionou, na época, era a quantidade de vendas diárias, a ponto de, só do depósito da Nova Inglaterra, saírem 2 grandes caminhões de 40’ da UPS por dia.

Passado mais de 30 anos, eles nunca tiveram lojas físicas, somente vendas por catálogos e showroom! Hoje o avanço da internet, 95% das suas vendas são on-line (incrível que ainda possuem catálogos, mas só enviam para alguns poucos e antigos clientes). As grandes redes do mercado pet mundial já se deram conta dessa tendência e estão cada vez mais investindo em TI e comércio eletrônico, pois senão a Amazon e Wish (site chinês) da vida passarão a engolir o seu mercado.

Como está acontecendo atualmente, os supermercados que atendem o público geral também estão migrando para lojas express, lojas menores, somente atendendo a conveniências, tamanho o aumento de volume das compras via sites. No mercado pet, as pequenas lojas de bairro, pet shops, também permanecerão como lojas de conveniência e para o serviço de banho e tosa, pois felizmente este serviço não é prestado pelos sites.

Luiz Pereira – Fundador da The Pet From Ipanema.

 

“O varejo de pet shop tem que buscar cada vez mais a diferenciação através do serviço e da experiência de compra, tem um crescimento das tecnologias no comércio eletrônico, então uma compra de ração, por exemplo, e de antipulgas são comodities.

A tendência é que as pessoas comprem on-line nos próximos anos, então como é que a loja vai conseguir sobreviver nesse ambiente diferenciado? Através de serviços, de atendimento e através de experiência de compra, então acredito que esse é um ponto de vista bastante importante a meu ver, e que temos investido, estamos entrando on-line agora, sempre fazendo esse in cross entre on-line e off-line.

Falando na parte veterinária que nós também atuamos, temos a Dra. Mei que é uma rede de clínicas veterinárias com um modelo bem inovador, trabalhamos com foco em prevenção, creio que isso é uma tendência também.

A partir do momento em que animais viram filho, hoje 61% dos nossos clientes se referem a seus animais como filhos, então isso abre espaço para que ao invés de remediar o problema e esperar o cachorro ficar doente para levar no veterinário e ter custo extra e prejudicar o bem-estar animal, dá espaço para você trabalhar um modelo de prevenção, o cachorro e o gato estão bem, vamos então mantê-los bem, então nós vendemos pacotes preventivos, pois o bem-estar animal ganha com isso e o bem-estar do bolso do dono do cãozinho e do gato também.

Então eu acredito que isso é tendência na Medicina Veterinária, prevenção, o nosso modelo trabalha em cima de agendamento e com uma política de preço justo, mais democrático. A missão então é democratizar o acesso à Medicina de qualidade para a maioria das pessoas, e responsabilidade social, acho que isso vale tanto pro pet quanto pro vet. Acredito que hoje as coisas têm que ser feitas com um propósito maior, o que você recebe você deve devolver pra sociedade de alguma forma.

E hoje atuamos em 6 frentes sociais desde evento de adoção, nós temos uma marca própria que rebate um valor de todo produto vendido em parceria com a Make a Wish, que é uma Ong internacional que ajuda crianças com doenças terminais a realizarem sonhos, entre outras frentes que atuamos.”

Rodrigo Albuquerque – Petland.

 

“Acompanho o mercado veterinário pet desde 1975, se pudermos incluir o cavalo de esporte. Considerando apenas como pet os pequenos animais, estou referindo-me a partir do ano de 1986.

Meu ponto de vista e se tiver expertise, diria que nesta época o animal fazia jus ao seu nome e por isso era considerado um animal, até por que vivia como tal nos quintais e/ou perambulava pelas ruas. A partir do momento que ele passou a entrar nos lares e conviver com seu tutor e demais familiares, seja à mesa nas refeições, no sofá da sala de televisão, na mesma cama, criou-se uma estreita relação de amizade, carinho e amor, passando a ser chamado de pet, ou seja, de estimação.

Muitas pessoas passaram a considerá-lo como um filho, se não mais do que isso. Frente a este panorama os tutores começaram a recorrer ao seu embelezamento e sua saúde. Como a pergunta se relaciona ao segmento pet vet, referir-me-ei apenas à questão da saúde. O tutor queria o bem-estar do seu pet. Com isto os veterinários passaram a investir grandes somas em tecnologias, surpreendendo inclusive as empresas médicas que comercializavam e comercializam equipamentos. Hoje falamos em tomógrafos e ressonâncias como algo quase trivial.

Esta é uma realidade, cuja tendência é de absoluto crescimento, tanto é que há dois anos, completados muito recentemente, foi criada a ABHV (Associação Brasileira dos Hospitais Veterinários), que a partir do primeiro semestre do próximo ano (2020), iniciará a acreditar, através de Empresa de Acreditação idônea e imparcial, clínicas, hospitais e centros de diagnósticos, profissionalizando assim este setor, separando o joio do trigo.

Com esta pequena história é muito fácil entender qual será a grande tendência. O Brasil persegue os Estados Unidos, que é o maior mercado pet do mundo. Dependendo da variação do dólar, brigamos com o Reino Unido para ocupar a segunda ou terceira colocação e assim despertamos grande interesse das redes internacionais, principalmente americanas. Outra tendência é o mercado de felinos, que cresce bem mais do que o de cães, já que o gato se adequa muito melhor às residências, muitas delas apartamentos, cada vez menores, atendendo às necessidades, os desejos e quem sabe os sonhos das novas gerações, principalmente nas grandes cidades, como, por exemplo, São Paulo.

Concomitantemente o número de faculdades de veterinária aumenta cada vez mais a cada dia, atingindo o número de 440, entre faculdades oficiais e não oficiais. Por mais que o mercado cresça e a tendência é de crescimento contínuo, porque não estamos falando de modismo, não há como absorver todos os profissionais que saem destas escolas. Uma opção para a colocação de parte destes profissionais é a diferenciação, através da vida acadêmica, pesquisas científicas, mestrados, doutorados, especializações ou quem sabe através de estágios realizados com afinco em empresas de referência.

Para finalizar, valeria a pena a reflexão que corroboraria para atender a tendência deste mercado em constante ascensão, que seriam as reinvenções e as inovações, sempre mais viáveis para quem acompanha as novidades dos novos tempos, cujas mudanças ocorrem em grande quantidade e em grande velocidade.”

Edgar Luiz Sommer – Provet/DR.TIS.

 

“Num futuro próximo, todos os espaços serão verdadeiramente pet friendly. Isso trará uma pressão nos negócios do mercado pet (comércio e saúde animal) que deverão atender diversos critérios para se tornarem pet friendly por excelência, isto é, apresentar técnicas construtivas e equipamentos apropriados ao enriquecimento ambiental, sendo previsto uso compartilhado entre humanos e animais com higiene, conforto, bem-estar e segurança para ambos.”

Renato Couto Moraes – Gerente de Projetos da Ambiente Pet Arquitetura & Engenharia Especializadas.

 

“O grande desafio do mercado será a inserção dos novos veterinários que estão se formando em um futuro próximo. O mercado está se qualificando e especializando, será necessário investimentos em equipamentos e tecnologia como diferencial da profissão.”

Leonardo Barreto – CEO Brasmed.

 

“Cada vez mais o animal passa a ser um membro da família. A tendência é na pesquisa e no ensino se utilizar mais tecnologia e menos animais. O corpo humano é bem diferente do animal, por isso a tendência que as empresas passem a investir não somente em equipamentos mas sondas, seringas e outros produtos mais específicos para uma maior humanização dos animais!”

Juarez Freire – Fundador e conselheiro Brasmed.

 

“Com a crescente profissionalização da Medicina Veterinária no Brasil, teremos um aumento do uso de produtos exclusivos para veterinários ao invés do uso de produtos humanos na veterinária. Como já acontece na Europa e nos EUA, empresas vendem produtos exclusivos veterinários e não produtos humanos.

Rodrigo Barreto – CMO Brasmed.

 

“Estamos cada vez mais conscientes de que precisamos ter normas e leis para melhorar e aprimorar o ramo da criação. Com um grande desafio que é levar conhecimento e cultura para todos aqueles que desconhecem a importância deste trabalho. A união de todas as forças, ongs, entidades, profissionais da área (médicos-veterinários e zootecnistas), empresários do ramo pet, governo e criadores terão grande importância nesta evolução.

Leyse Faddul Corbal – Proprietária da White Kennel Brasil e diretora de marketing de A Liga Kennel Club.

 

“O mercado veterinário está em ascensão. Existe uma preocupação constante no desenvolvimento de novas tecnologias em todas as áreas que a Medicina Veterinária oferece. Porém, é primordial que o médico-veterinário também se preocupe em desenvolver suas habilidades socioemocionais.

Estas serão a base para lidar com as dificuldades pertinentes à profissão. Seja em qualquer área que o médico-veterinário atuar, sempre será preciso entender também de comportamento humano, pois ele será sempre o elo de toda carreira. Sem ter competências emocionais desenvolvidas o médico-veterinário sentirá os efeitos nocivos de uma má gestão emocional. Médicos-veterinários lidam com emoções das pessoas o tempo todo, aquele que se preparar mais será o profissional do futuro.”

Daniela Rosa CRMV-SP 12337, coach fundadora Realizevet – Médicos-veterinários preparados para o futuro.

 

 

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