Analfabetismo psicológico

Não sou psicólogo. Estudo psicologia e psicanálise há muito tempo, como autodidata, frequentando cursos, fazendo diversos tipos de terapia.

Passando, enfim, pelos processos. Com Luiz Fernando Garcia foram 7 anos! Assim, dando aula na universidade há quase 30 anos, para adultos, percebe-se que os estudantes tiveram por anos a fio aulas de geografia, matemática, português, história, física, ciências, inglês, química, educação física, entre outras.

Pergunta: quantas aulas ou disciplinas você teve de psicologia? Sobre comportamento humano? Sobre relacionamento? Talvez o que mais se aproximasse disto fosse filosofia. A base da psicologia foi a filosofia grega.

De médico e louco todo mundo tem um pouco. Ouso dizer que de filósofo e psicólogo, idem. O que é natural. Todos nós relacionamos com nossas frustrações e delícias, acordos e brigas. Assim, parece que entendemos de nós mesmos e dos outros. Há uma percepção de que entendemos as intenções alheias. Tomamos atitudes, desta forma, impensadas, imprecisas, desviadas, com sérias consequências. Por vezes nos arrependemos; e amargamente. Por quê? Exatamente porque apenas “achamos” que entendemos de relacionamentos, mas de fato pouco dele sabemos. A mente humana é desconhecida por nós mesmos.

Os psicólogos sabem bem disto: 95% da sua mente é desconhecida por você mesmo, pois é inconsciente. Freud que o dizia. Conhecemos parte pequena de nossa consciência, a parte cognitiva, lógica. Os meandros dos pensamentos que se misturam com afeto, sentimentos mais instintivos, puros, são poucos entendidos. Daí resultam muitas frustrações consigo mesmo, suicídios, assassinatos, discussões sem fim, desilusões, brigas familiares, desacordos societários, desentendimentos empresariais e com clientes; e a lista é enorme. Por uma simples situação: pouco sabemos de nós mesmos, por analfabetismo psicológico.

A sugestão é aprendermos um mínimo sobre o assunto. Parar de tamanha falta de “simancol”, da famosa síndrome de Gabriela “eu nasci assim, eu sou sempre assim…”, de achar que os outros que devem mudar ou se adaptar a você. Que por eu ser assim mesmo, quem gosta de mim deve aceitar-me como eu sou! Isto é ser muito arrogante, narcisista. O pior de ser assim é sofrer; e nem se aperceber da razão. A pessoa vive “causando” na família, no trabalho, junto a amigos e não se apercebe. Vive em desconformidade a tudo e a todos e não olha para dentro de si mesma para despertar, parodiando Jung. Está na hora de levar conhecimentos mínimos de psicologia para sua empresa e família. Traga profissionais, leve-os por meio de cursos on-line. A decisão é sua!

Prof. Dr. Marco Antonio Gioso – FMVZ-USP www.usp.br/locfmvz

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