A fatia do mercado de aves4 min para ler

Fui convidado pelo Gilmar, diretor desse periódico, para escrever sobre o mercado de aves de companhia e, nesta edição, falaremos sobre o mercado de pássaros brasileiros.

Existe um mercado que, embora sufocado, movimenta muito dinheiro no mercado pet de aves e produtos específicos. É o mercado de aves de companhia classificadas como “silvestres”, que são as das espécies de ocorrência no território brasileiro, da nossa fauna. O nome “silvestre” na verdade remete “à selva”, “selvagem”, e é uma classificação equivocada, pois os espécimes legais são todos nascidos em ambientes controlados, mas assim foram classificados para efeitos das normatizações.

Essas espécies mostram-se muito dóceis e de fácil domesticação, características fundamentais para despertar o desejo de adquirir uma ave de companhia. Basicamente são classificadas pelo grupo dos psitacídeos, aves que possuem o característico “bico torto”: papagaios, araras, periquitos, que aliás já são criadas proficuamente em outros países que viraram até exportadores dessas nossas espécies, os passeriformes, que basicamente são os passarinhos canoros (cantores) ou não.

Normalmente quem compra um psitacídeo o faz para ter uma ave de companhia. Já sobre os passeriformes as propostas podem variar significativamente. Existe uma atividade regular organizada por entidades associativas que promovem competições de canto nas modalidades de quantidade e também de qualidade por todo o território nacional. Esses “passarinheiros” como são carinhosamente chamados desde os primórdios são geralmente homens, de 20 a 70 anos, e com uma qualidade em comum: apaixonados. Não medem esforços ou custos para um melhor estar de seus alados, muitas vezes desmedidos.

São por volta de 400 mil cadastrados espalhados proporcionalmente por todo o Brasil, fora os informais, e esse mercado fica sufocado pelas normalizações dos órgãos públicos que dificultam o máximo para obtenção de licenças, pouco competente para fiscalizar e coibir o tráfico. As licenças são cedidas normalmente pelas secretarias do meio ambiente, em setores chefiados por técnicos ambientais, que não gostam da figura da gaiola, daí entendemos o porquê dessa demonização da atividade. Com a desculpa capenga que a criação estimula o tráfico, sentam em cima dos estudos de liberação de venda profícua dessas aves em lojas.

Em um rápido raciocínio podemos entender que uma criação profícua, que coloca um grande volume de animais legais no mercado, faz com que o preço caia e as ofertas do tráfico fiquem desinteressantes. O mercado existe e deve ser abastecido com animais legais.

A abertura de novos empreendimentos de criação e comercialização de espécimes da nossa fauna também está engavetada pela má vontade desses técnicos. Estados como Paraná, Maranhão, Alagoas, Distrito Federal, recentemente o Rio de Janeiro já podem abrir seus criadouros para abastecer as lojas e o mercado interno graças à Lei Complementar 140 que transferiu essas atribuições aos Estados, tirando a competência do Ibama, que tenta de outras formas ainda interferir no assunto.

Essa transição gerou uma série de imbróglios, pois os Estados não estavam preparados para tal controle e ainda não estão. Na maioria deles nada aconteceu até agora.

Fato é que esse mercado deve ser olhado com atenção pelos lojistas que podem vender um curió, trinca-ferro, sabiá, azulão, cardeal, coleirinha, canário-da-terra, papagaio, arara, tucano, etc., aves com alto valor agregado e ainda para um público que não medirá despesas para mantê-los com os melhores alimentos e acessórios.

É um mundo meio que “desconhecido” por grande parte da sociedade, e que gasta 2, 3 até 4 mil reais em uma gaiola e podem gastar ainda milhares de reais por uma ave campeã. Esses “picos de valores” interferem diretamente nos valores dos filhotes de forma positiva a agregar valores.

Interessante que os atuantes nesse mercado observem com atenção esse segmento do mercado pet, pois as liberações estaduais estão acontecendo, ainda de forma tímida é verdade, mas o gosto pela coisa já existe e é uma “cachaça” para àqueles que os cultivam.

Cobrem de seus parlamentares estaduais a normatização da atividade e a ampla liberação para o comércio dessas espécies nas lojas e terão clientes especiais dispostos a adquirirem o que de melhor o mercado oferecer.

 

Edilson Guarnieri, diretor-editor Revista Passarinheiros e Cia, 17 anos no mercado.

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