O mercado brasileiro nos dias atuais4 min para ler

Com a palavra o presidente da Associação Brasileira de Lojas de Aquariofilia, Ricardo Dias dos Santos.

Em abril de 2008, devido ao crescimento do tráfico internacional de animais, rochas, plantas, etc., oriundos do Brasil, houve uma intensificação na fiscalização em lojas de aquariofilia em todo o território nacional, com o objetivo de conter ações ilegais. Infelizmente, por falta de informação de muitos lojistas, estes acabaram sendo confundidos com traficantes de animais da fauna brasileira. A maioria dos lojistas acreditava que comprando com nota fiscal de um fornecedor autorizado, a legitimidade da mercadoria estava garantida. Constatou-se, portanto, desconhecimento sobre as exigências legais e os procedimentos necessários para esse tipo de comércio. Em maio de 2008, 12 lojas se reuniram e decidiram fundar uma associação para possibilitar o fortalecimento do setor através da união, da conscientização e da disseminação das informações pertinentes à legalização e à proteção do ecossistema de nossos mares.

Foi então que em 10 de junho de 2008, em uma reunião realizada na presença de 12 lojistas, foi constituída a ABLA (Associação Brasileira de Lojas de Aquariofilia), através da eleição de sua diretoria e de seu conselho, tendo sido eleito por unanimidade o senhor Ricardo Dias dos Santos como primeiro presidente. E, para falar um pouco do mercado nacional de aquarismo, fizemos uma entrevista com o presidente. Confira!

Negócios Pet: Presidente desde quando?

Ricardo Dias dos Santos: Desde a fundação no ano de 2008.

 

NP: Em 2014 tivemos os seguintes dados: Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, os peixes ornamentais já alcançam o segundo lugar no ranking de animais de estimação preferidos dos brasileiros. Ainda procede?

RDS: Os peixes ornamentais ocupam no mundo a primeira posição de população de animais de estimação, com praticamente o dobro da população de cães e gatos. Cabe ressaltar que quanto mais desenvolvido o país, maior a fatia que o peixe ornamental ocupa dentro do mercado deste país.

 

NP: Como está a evolução no mercado nos dias atuais?

RDS: Atualmente cada vez mais o dia a dia das pessoas busca praticidade e com isso ganhamos frente dentro do mercado de peixes ornamentais, pois a tecnologia tem avançado rapidamente e disponibilizado cada vez mais insumos que possibilitem que os sistemas praticamente operem sem interferência do homem. A interferência ainda necessária faz parte do hobby do aquarista.

 

NP: Qual o tipo de empreendedor que procura o setor?

RDS: A composição do setor de aquariofilia muito diversificado, criadores de organismos aquáticos com finalidade ornamental, fabricantes de insumos, importadores, exportadores e lojista. Na grande maioria apaixonados pelo hobby empreendem na composição do setor.

 

NP: Como fazer o lojista e o fabricante terem mais lucratividade?

RDS: O setor aquariofilia é movido pelas novidades, tanto de organismos aquáticos vivos, como de insumos. Para que haja maior lucratividade é necessário que haja diversidade de produto para os diferentes públicos que fazem parte desse hobby, como por exemplo as rações, que devem evoluir cada vez mais para as necessidades de cada espécie.

 

NP: Quais são os principais impasses do setor?

RDS: Um dos principais impasses do setor da aquariofilia no Brasil é o tratamento do governo brasileiro com relação às normas de acesso às espécies permitidas. O Brasil é considerado o principal celeiro de espécies ornamentais do mundo, mas nosso governo trata os recursos pesqueiros no país de forma antagônica.

Por exemplo, se a finalidade for alimentar, qualquer espécie que não esteja ameaçada de extinção pode ser comercializada, enquanto se a finalidade for ornamental, somente podem ser capturadas as espécies preestabelecidas em uma norma de ordenamento vigente.

Um exemplo de o quão nada sustentável é o modelo brasileiro é por exemplo a proibição do uso do aruanã capturado para ornamentação e aquariofilia, permitindo-se apenas para fins alimentares. Ocorre que o pescador profissional vendo o quilo do aruanã seco por volta de R$ 4,00 e apenas uma unidade alcançaria facilmente o valor de R$ 150,00.

Pergunto: O que é mais sustentável? Capturar toneladas de aruanã com finalidade ornamental, ou apenas algumas com finalidade ornamental para compor a renda de um pescador artesanal?

 

NP: O que o nosso mercado de aquarismo precisa melhorar?

RDS: Na visão da Ablaquariofilia um aquarismo moderno deve seguir o caminho da sustentabilidade e esta responsabilidade cabe ao hobbysta e aos comerciantes.

 

 

 

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