Kinguios – Doença na bexiga ou constipação?4 min para ler

Elas são as mais comuns e de maior prevalecência nos aquários desta espécie.

No início do hobby, é normal que os aquaristas passem por uma fase de erros mais constantes, acarretando alguns problemas que causam doenças e até a mortalidade de seus peixes. No entanto, após esse período e já com o sistema em perfeito equilíbrio, as doenças causadas na bexiga natatória provavelmente são as mais comuns e de maior prevalência nos aquários de kinguios.

Em geral, não apresentam sintomas clínicos até o quadro de perda de equilíbrio do peixe, que é caracterizada pelo peixe flutuar de forma anormal. Os peixes ficam flutuando na superfície, tentando mergulhar ao fundo do aquário, mantendo-se em repouso, sem nadar ativamente, podendo ainda manter a posição normal da cabeça ou apresentá-la inclinada para baixo ou para cima.

Essa doença é provocada por vários agentes, como os tumores, que podem ser policístico ou/e grandes lesões no rim, que provocam um deslocamento unilateral da bexiga natatória, resultando na flutuação anormal.

Bactérias e fungos também são responsáveis por essa enfermidade, enchendo a bexiga com secreções relacionadas com infecções provocadas por esses organismos, podendo até causar o rompimento da parede da bexiga natatória.

Quantidades excessivas de gases no intestino podem provocar a desordem no equilíbrio do peixe. Em geral, esse excesso de fermentação está associado a um desbalanceamento da flora intestinal, que pode acarretar ou estar associada a uma constipação. Quando a desordem é causada por esse fator, o tratamento do peixe é bem mais fácil e o que deve ser feito é anular a constipação com a utilização de medicamentos específicos, fazendo o intestino voltar a funcionar normalmente.

Kinguios – Doença Na Bexiga Ou Constipação?Em locais privilegiados ou grandes centros, o diagnóstico dessa enfermidade pode ser realizado por imagem avançada. A doença renal policística e celômicos, tumores por exemplo, são facilmente distinguidos pela ultrassonografia, radiografia digital e tomografia computadorizada. (Fig. 1).

Duas apresentações clínicas são muito comuns na realização das radiografias. No primeiro quadro, pode-se observar o envolvimento da bexiga natatória, resultando na sua hiperinsuflação; No segundo, pode aparecer uma distensão do intestino, provocada pelos gases, similar ao observado em outros animais com obstrução intestinal (Fig. 2 e 3).

Alguns manejos podem ser realizados para melhorar o quadro sanitário dos animais afetados por essa enfermidade, como a adição de sal (1-2g/L); aumento da temperatura do aquário (para acelerar o metabolismo do peixe) ou a diminuição dela, para manter os peixes mais confortáveis e diminuir a atividade bacteriana, quando esta estiver associada ao quadro clínico.

A escolha desses manejos está relacionada com a temperatura que o peixe era mantido inicialmente. Também é recomendado realizar uma restrição alimentar (2 a 3 dias); o uso de ervilha cozida e descascada uma vez ao dia é altamente aconselhável. O tratamento com antibióticos por injeção, imersão ou medicação em alimentos também pode ser útil, mas deve ser prescrito por um médico-veterinário. Drogas que estimulem a motilidade gastrointestinal também são prescritas para essa finalidade.

Em casos de inflamação excessiva, podem ser realizados processos cirúrgicos, porém este procedimento não é totalmente garantido.

Uma curiosidade e ao mesmo tempo um alerta é que essa doença também pode ser provocada por predisposição genética dos peixes. Alguns estudos e análises de imagens em casos clínicos têm demonstrado que, pelo menos 75% dos peixes que manifestam esta doença apresentam uma mudança no canal medular. No entanto, mais estudos devem ser realizados (Weber, 2014).

É bem provável que o motivo dessas complexidades seja porque as criações de kinguios buscam aperfeiçoar geneticamente os peixes, para obter melhores resultados nos quesitos de coloração e estrutura corporal variada, fator que pode provocar traumas da medula espinhal e desencadear essa enfermidade.

 

Regiane Figueiredo é colaboradora do setor técnico da Poytara.

Referências: Weber, E. Scott. “A veterinary guide to the fish gastrointestinal tract.” Veterinary Clinics of North America: Exotic Animal Practice 17.2 (2014): 123-143. Wildgoose, W. H. “Internal diseases of ornamental fish: a clinical approach.” Bulletin -European Association of Fish Pathologists 26.1 (2006): 46.

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