Iluminação em aquários3 min para ler

Uma das coisas mais ouvidas sobre este tema é que devemos manter 1W de luz por litro de água

Essa é uma das fórmulas mais genéricas que existem no aquarismo e deve ser seguida com muita cautela. Temos de entender primeiro qual o tipo de lâmpada a que esta fórmula se refere, se é tubular T5 ou T8, se é fluorescente compacta, HQI ou os recentes Leds.

Além do tipo de lâmpada, é necessário entender o que o aquarista busca com a iluminação. Se é um aquário plantado, um aquário com plantas (sim, são diferentes e podemos abordar mais adiante), um FishOnly ou marinho. Usualmente para aquários FishOnly (FO) ou aquários com plantas, podemos manter uma iluminação mais simples com lâmpadas do tipo “luz do dia” acrescentando algum tom de azul ou rosa no caso dos doces para realçar as cores dos peixes.

Para aquários plantados temos de entender as necessidades das plantas, qual espectro da luz é mais bem aproveitado no processo de fotossíntese e desta forma concentrar os esforços e investimentos na lâmpada adequada. Falando de modo geral, sem aprofundar nos conceitos ou detalhes técnicos, as plantas aproveitam com mais eficiência os espectros vermelhos da luz, desta forma podemos ter mais lâmpadas que emitam essa frequência.

Temos ainda de levar em consideração a atenuação que a água proporciona. Os espectros vermelhos atenuam primeiro, desta forma restando apenas os azuis.

Por este motivo, nos aquários marinhos é necessário investir em espectros mais azuis. Ao passar dos milhões de anos, os corais evoluíram para aproveitar melhor essa faixa de iluminação. Portanto devemos sempre prover os marinhos com esse espectro.

Sobre a eficiência das lâmpadas, até pouco tempo atrás as HQIs eram imbatíveis para marinhos por sua eficiência em reproduzir infinitas cores. Com seus filamentos de alta incandescência, elas são as que mais se aproximam do espectro solar, visualmente formando imagens de “bilhões de cores”, muito próximas às que visualizamos sob a luz do sol, porém está perdendo espaço para os Leds exatamente pela falta de praticidade e pelo fato de esquentarem muito.

Os Leds com sua praticidade e durabilidade estão cada vez mais populares. O LED basicamente trabalha com três cores (RGB de “red’, ‘green”, “blue”). As demais são obtidas com revestimentos da pastilha do diodo luminescente com os vários tipos de fósforo em diversas combinações, o que visualmente permitiria destacar na imagem assim formada aos nossos olhos algo como “256 cores”. A maior vantagem dos Leds em marinhos é o fato de não esquentarem a água, dispensando em alguns casos até mesmo o Chiller. Nos plantados os Leds ainda engatinham, sendo mais comuns nos FO.

Quando falamos de Aquários Plantados, as tubulares ainda reinam absolutas por terem um espectro mais estendido e não esquentarem a água. Ainda dependentes de “combinações de fósforo”, elas permitiriam visualmente formar imagens com “milhões de cores”, mais próximas, portanto, do que enxergamos sob o sol. Com estas milhões de cores, a facilidade de acesso e o preço baixo, as T5 terão vida longa nos plantados. As fluorescentes compactas pelas limitações impostas no PAR e espectros devem ser recomendadas apenas para os FO.

Portanto, como podemos ver de forma resumida, a iluminação ideal em um aquário depende de diversos fatores. Os vendedores devem estar preparados para questionar o cliente no sentido de entender qual o tipo de aquário é pretendido e assim indicarem a iluminação mais adequada, economizando recursos para o cliente e garantindo que este tenha uma experiência satisfatória com o seu aquário.

 

Márcio R. Vargas é aquarista desde 1993 e moderador do portal AqOL.

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