Fitoterapia no controle da doença dos pontos brancos

A comercialização de peixes ornamentais tornou-se uma atividade lucrativa, por se comercializar peixes por unidade. Por causa disso, os produtores de peixes ornamentais intensificaram os sistemas de cultivo, com intuito de aumentar a produtividade. Entretanto, a intensificação na produção promoveu o aumento da incidência de doenças parasitárias, provocando surtos de mortalidade e prejuízos econômicos.

Dentre os agentes patogênicos de importância por ocasionar altas taxas de mortalidade na piscicultura ornamental destaca-se o protozoário ciliado Ichthyophthirius multifiliis (íctio), causando a “doença dos pontos brancos” ou ictiofitiríase. Para controlar esta enfermidade, diversos quimioterápicos são utilizados, como o verde malaquita, formoldeído, NaCl, KMnO4, CuSO4. No entanto, estes produtos possuem ação carcinogênica, danos irreversíveis no tecido do hospedeiro, pouca eficácia, além de riscos ao meio ambiente e à saúde do manipulador.

Como medida alternativa no controle da ictiofitiríase o uso de fitoterápicos vem sendo foco de pesquisas, a fim de substituir o uso de químicos e minimizar os efeitos negativos ao meio ambiente. A utilização dos fitoterápicos como tratamento de peixes pode ser utilizada na forma de óleo essencial ou na forma de extrato aquaso, aplicados por meio de banhos curtos e/ou longos.

Os principais fitoterápicos aplicáveis no controle da doença dos pontos brancos são os óleos essências de melaleuca (Melaleuca alternifolia) e erva baleeira (Varronia curassavica), apresentando eficácia de até 90%. Os extratos aquosos de aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius) também demonstraram propriedades protozoaricidas, com 98% de eficácia em banhos de 24 horas nos peixes ornamentais acará-bandeira (Pterophyllum scalare) e platy (Xiphophorus maculatus). Estes efeitos promissores no controle de doenças dos pontos brancos possivelmente são ocasionados pelos compostos majoritários, que podem entrar em contato com o protozoário, rompendo assim suas membranas e eliminando tal enfermidade do peixe.

Apesar dos efeitos já comprovados no uso de fitoterapia no controle de infestações por íctio nos peixes, a elaboração de produtos comerciais à base de plantas ainda são reduzidos e sua venda nas lojas de aquarismo é quase inexistente. Isso torna o aquarista/produtor ainda dependente dos produtos à base de químicos para tratamento de seus animais, inibindo o uso de produtos menos agressivos à saúde e ao ambiente e que promovem eficiência similar para tratamento.

 

 

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