Alimentação com probiótico no cultivo de peixes ornamentais3 min para ler

Uma solução para a sanidade da criação.

O cultivo de peixes ornamentais tornou-se uma atividade cada vez mais lucrativa, comercializando-se espécies nativas e não nativas (exóticas). Dentre as espécies mais comercializadas no país há destaque para o kinguio (Carassius auratus), o plati (Xiphophorus maculatus), o beta (Betta splendens), o guppy ou barrigudinho (Poecilia reticulata), o acará-bandeira (Pterophylum scalare) e o acará-disco (Symphysodon discus). Essa expansão na produção busca atender a crescente demanda do mercado aquariofilista nacional e internacional, que almeja cada vez padrões de cores e formas.

Entretanto, a intensificação na produção de peixes ornamentais vem promovendo indesejavelmente o surgimento de doenças, principalmente as de origem bacteriana na piscicultura, desencadeadas pela debilidade imunológica dos peixes ao serem submetidos ao estresse de manejo. Essas patogenias são um gargalo na cadeia produtiva de peixes ornamentais, uma vez que elas são responsáveis por altos e rápidos surtos de mortalidade no cultivo, causando prejuízos econômicos ao produtor.

Em busca de combater os surtos bacterianos, os piscicultores passaram a adotar o uso indiscriminado e errôneo de antibióticos como medida preventiva e de tratamento dos animais no cultivo. Isso representa uma grande problemática para a cadeia produtiva sustentável, exigida pelo mercado atual, uma vez que poucos cuidados são tomados com os efluentes lançados no ambiente após os “tratamentos”, podendo ocasionar a seleção de bactérias resistentes a esses farmacoquímicos, dificultando e/ou impossibilitando futuramente um novo controle da doença.

Objetivando sanar essa problemática, diversas pesquisas vêm sendo realizadas com o intuito de encontrar produtos alternativos que substituam o uso de antibióticos na piscicultura. Dentre esses, atualmente vem se destacando o uso de probióticos na alimentação dos peixes. Os probióticos são microrganismos vivos que quando adicionadas na alimentação do animal conseguem colonizar o seu trato intestinal, proporcionando melhoria no equilíbrio da microbiota e na saúde do animal.

Dentre as bactérias com potencial probiótico são destacadas o gênero Bacillus e as bactérias ácido láticas. Na produção de peixes ornamentais estes organismos podem ser adicionados tanto na alimentação inerte quanto no alimento vivo (artemia, daphinia, etc.), por meio de sua aspersão na ração ou enriquecimento na água de cultivo do alimento vivo e, assim, podendo ser administrados desde as primeiras fases de cultivo (larvicultura), as quais apresentam maiores mortalidades.

O estímulo imunológico que o probiótico ocasiona nos peixes se baseia na tentativa de defesa do organismo à grande quantidade de bactéria ingerida, pois este reconhece o probiótico como uma infecção, quando na verdade o probiótico não é capaz de ocasionar uma doença ao animal. Esse mecanismo de defesa passa então a sempre estar em alta, pois sempre há introdução de mais bactéria, produzindo constantemente defesa celular, o que permite respostas mais rápidas dos fagócitos e das imunoglobulinas em patogenias.

A administração de probiótico na alimentação proporciona aos peixes a modulação da microbiota intestinal, fazendo com que as bactérias  benéficas concorram por espaço, nutrientes e até mesmo inibam a colonização de bactérias patogênicas. Essa alteração da microbiota por bactérias benéficas promove no animal o aumento da vilosidade intestinal, beneficiando a absorção de nutrientes e produção de enzimas digestivas, o que reflete diretamente no aumento do desempenho zootécnico dos animais, incrementando o crescimento e o peso dos peixes.

Desta forma, o uso de probiótico na alimentação de peixes ornamentais torna-se uma alternativa promissora para solucionar um dos principais gargalos dessa cadeia produtiva: a sanidade; e desta forma incrementar a economia e fornecer animais saudáveis e de qualidade ao mercado aquariofilista.

Natalino da Costa Sousa é formado em Engenharia de Pesca pela UFPA.

 

 

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