Água de transporte

Um risco para o cultivo de peixes ornamentais.

A comercialização de peixes ornamentais tornou-se uma atividade rentável, sendo que no elo da cadeia de peixes ornamentais (base: produtor e extrativismo; distribuidores: exportadoras e lojas e consumidor final), o consumidor final, demanda, todos estão cada vez mais exigentes na seleção dos peixes comercializados. Esse setor busca por peixes de diferentes formatos, cores, e, principalmente, que apresentem certificações sanitárias. Para atender à crescente demanda nacional, os empreendimentos comerciais, as pisciculturas e/ou lojas estão constantemente intensificando os sistemas de cultivo ou manutenção/exposição dos peixes, de maneira a aumentar a produtividade.

Contudo, a intensificação da produção de peixes ornamentais gera uma preocupação com a incidência de doenças tanto nos empreendimentos comerciais quanto no domicílio do consumidor final. Dentre os grupos patogênicos, os parasitas são responsáveis por surtos de mortalidade e acarretando em prejuízo econômico aos produtores e desinteresse dos aquaristas.

Dentre as principais enfermidades pode se destacar os parasitas Ichthyophthirius multifillis, Trichodina, mixosporídeos, monogenéticos, nematoides e cestoides. Estudos científicos recentes associam as doenças causadas por estes agentes patogênicos aos fatores de risco, como alta densidade de estocagem, excesso de material orgânico, oscilações de temperatura, entre outros. Estes fatores podem aumentar as chances da proliferação e disseminação de doenças, principalmente as de baixa especificidade parasitária.

Desta forma, a “água de transporte” utilizada nas embalagens plásticas, onde os peixes são alocados para comercialização, torna-se um risco ao cultivo ao ser adicionada juntamente com a espécie adquirida ao novo ambiente de criação e a peixes sadios. Isso porque, durante o transporte, o estresse ocasionado nos animais pode causar a saída de agentes patogênicos do hospedeiro diretamente para a água, proliferação da patogenia ou até mesmo ocasionar a mortalidade de novo hospedeiro pela infestação do agente patogênico.

Juntamente a este fator, a falta de quarentena e a má aclimatação são uns dos fatores que podem aumentar a disseminação de doenças. Esses manejos de recepção, quando inadequados, podem promover entre os estabelecimentos (pisciculturas e lojas), regiões ou países a propagação de patógenos, tornando-se uma preocupação sanitária de grande importância. Como exemplo do perigo do transporte de doenças exóticas em peixes ornamentais existe a ocorrência do parasita Camallaus cotti que foi introduzido no Brasil parasitando o guppy ou barrigudinho (Poecilia reticulata) comercializado.

Nesse contexto, as boas práticas de manejo são cruciais como medida preventiva de patógenos. O papel da quarentena e da aclimatação no controle sanitário da cadeia produtiva de peixes ornamentais, como o descarte apropriado da água de transporte representa etapas importantes para mitigar a disseminação de doenças. O controle nessas etapas pode ser capaz de ofertar peixes ornamentais com qualidade sanitária.

 

 

 

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