Fim do varejo pet? Será?4 min para ler

Você já parou para pensar no assunto ou vai esperar o processo ficar mais rápido para ser engolido?

Você já está tomando providências para lucrar com o processo? Seus concorrentes estariam atentos?

São perguntas desconfortáveis a serem feitas, mas de total necessidade, chegando ao ponto de poder salvar algumas empresas das mudanças que estão em curso.

Veja que existem, além dos sites de vendas conhecidos, outros  tantos menores e ainda outras empresas que vendem através dos marketplaces virtuais. Estes últimos são espaços de vendas compartilhados. Você já deve ter visto em alguns sites que frequenta a oferta de itens “diferentes” do que a empresa oferecia antes, porém indicados nesses produtos como: “vendido e entregue por fulano de tal” que não é o “dono” do site.

Pois bem, essa tendência está se fazendo presente com mais intensidade em diversos mercados. Começa a ser comum encontrar itens que não têm nada a ver com os ofertados pela empresa.

O mercado pet é sempre muito visado e, por estar conseguindo sobreviver ao terremoto econômico que vivemos, mesmo que com muito esforço, acaba chamando a atenção e incentivando a entrada de novos concorrentes.

Além dos supermercados, esses marketplaces devem entrar com força para competir com o varejo, usando o conceito de atender o cliente de maneira mais completa, ou seja, quem entra para comprar um liquidificador, pode comprar itens para seus pets, aproveitando que já está no site. Esse conceito se chama one stop shop. Significa oferecer soluções de compras mais amplas aos clientes, evitando que gastem em outro lugar; algo como: “Compre comigo que eu consigo atender às suas necessidades.”

Você viu que a Amazon comprou uma rede de alimentos, chamada Whole Foods que oferece alimentação orgânica? A pergunta sobre como os produtos vendidos atualmente pela Amazon (livros, eletrônicos, etc.) se encaixa com os da Whole Foods é pertinente, mas a negociação foi estratosférica, envolvendo 13,7 bilhões de dólares e nos leva a crer que a estratégia de compra e operação futura está criada.

Nesse aspecto, creio que cada vez mais produtos destinados aos pets começarão a ser oferecidos por esses canais, portanto não precisa nem falar que aquela zona de conforto passará por um terremoto de grande intensidade, se você ficar esperando para ver o que vai acontecer, não é?

Costumo dizer que temos duas certezas na vida: a morte e a incerteza e estamos exatamente abraçados com a segunda!

Imaginar que o varejo especializado pet acabará, eu penso que seria um exagero dizer, mas, que ficará muito mais competitivo, eu não tenho dúvida. Como a sua empresa pode sair bem dessa? Será que todas as marcas se renderão a comercializar seus produtos nesses canais?

Qualquer produto pode ser vendido dessa forma? Você não poderia vender através do marketplace? O perfil dos seus clientes encaixa no público que compra via internet?

Vale a pena estudar novos fornecedores? E a curadoria de produtos, fica mantida?

Com certeza não é fácil responder essas questões e outras importantes para começar a traçar uma estratégia comercial que permita bons resultados. Uma possibilidade é que talvez o crescimento desse tipo de concorrência ainda cresça devagar, mas tudo dependerá da adesão dos compradores.

Portanto, mais do que nunca, a questão do atendimento, do fazer diferente, de ter produtos legais e não tão comuns, preços justos (não baratos necessariamente), ter um espaço muito bem cuidado, agradável, limpo, iluminado e confortável, começa a ganhar peso no momento.

E o treinamento da equipe, aquele investimento que costuma ser tratado como custo, como fica agora? Seus atendentes estão preparados para oferecer uma experiência agradável e positiva aos clientes? Eles conhecem bem os produtos? Você também está?

Essa pode ser uma ótima oportunidade para pensar se fica no mercado, se vende a empresa, se vai explorar outra atividade, enfim, definir o quanto está disposto a investir de recursos (tempo, dinheiro, energia, etc.) no êxito do negócio.

Se antes o barco só dava uma balançada leve de vez em quando, prepare-se porque ele poderá passar por uma tormenta e algumas embarcações afundam nesse cenário. O melhor de tudo é que o trabalho não será perdido se a tormenta não for tão brava, tenha plena certeza disso. Valerá o esforço porque uma vez que a empresa se prepara para situações difíceis, ela se sairá muito bem em cenários mais favoráveis e poderá até crescer e se tornar mais lucrativa.

Na minha opinião, a única postura que não cabe perante a realidade que se mostra é ficar sentado lamentando e esperando a morte chegar.

É bem provável que sempre existam clientes que preferem o contato com as pessoas, tocar os produtos e receber mais informações pessoalmente, mas isso não deve servir de consolo.

 

Jefferson Braga é fundador da PetCon$ult, consultor sênior com formação em Administração e Pós-graduações em Gestão e Administração Financeira e Controladoria. Ministra palestras, treinamentos e aconselhamento empresarial pelo Brasil, atuando desde 2000 como consultor do segmento. jefferson@petconsult.com.br www.petconsult.com.br facebook (PetConsult Consultoria)

 

 

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