Saúde Pet – A importância da doação de sangue na Medicina Veterinária

Um assunto ainda desconhecido por muitos.

Inúmeros tutores que possuem cães que têm capacidade de serem doadores não sabem disso. Com isso, os bancos de sangue veterinários, em sua maioria, vivencia a carência de doadores e têm dificuldade em suprir a demanda. A necessidade de sangue é constante. As transfusões fazem a diferença entre a vida e a morte de muitos animais todos os dias.

Assim como no homem, muitas doenças nos cães e gatos levam à necessidade de transfusões de sangue. Como nem sempre sabemos quando vamos precisar realizar uma transfusão, é muito importante mantermos sangue e seus componentes em estoque prontos para uso. Na Medicina Veterinária, as situações mais comuns com necessidade de transfusão são: cirurgias, atropelamento, doença renal, doenças infecciosas (como a doença transmitida pelo carrapato), intoxicação, câncer e coagulopatias (distúrbios de coagulação que geram hemorragia).

Como o sangue não possui substituto e não é produzido artificialmente, a doação é a única fonte para obtenção de sangue e seus componentes para uso em pacientes que necessitam. E com uma única doação pode-se ajudar até quatro cães.

Com os cães e gatos considerados verdadeiros membros da família, observamos maior expectativa de vida dos pets e maior empenho no tratamento de doenças. Isto possibilitou o crescimento e a especialização da Medicina Veterinária em todas as áreas, inclusive na Hemoterapia, uma área recente no Brasil. Atualmente, a transfusão sanguínea já é um procedimento comum em clínicas e hospitais veterinários. E o uso racional do sangue, bem como as indicações adequadas para cada hemocomponente, é cada vez mais estudado pela classe veterinária. A Medicina Transfusional visa oferecer um serviço especializado com segurança e qualidade, reduzindo assim o risco de reações transfusionais e de transmissão de doenças infecciosas. Com os bancos de sangue especializados é possível o fracionamento de uma bolsa de sangue total e obtenção de pelo menos quatro componentes diferentes: concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, concentrado de plaquetas e crioprecipitado. A tendência é o desuso do sangue total fresco ou refrigerado, uma vez que existem situações clínicas em que há necessidade de reposição de apenas um elemento do sangue, minimizando a ocorrência de reações transfusionais pela administração de hemocomponentes desnecessários.

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Este cenário, sem dúvidas, é acompanhado de maior abertura da sociedade para doação de sangue. O conceito de Programa de Doação de Sangue para cães e gatos no país é muito novo, mas tem ganhado espaço através da confiança e indicação de seus participantes que percebem benefícios. Com o aumento do número de transfusões na veterinária há também a divulgação do dono do pet que foi salvo pelo procedimento.

 

A doação de sangue é segura

A técnica de coleta de sangue e armazenamento em Medicina Veterinária é muito semelhante à Medicina humana. A doação de sangue não oferece risco, nem prejuízo à saúde dos cães. Antes da doação de sangue deve ser realizado exame físico do animal e exames laboratoriais para certificação da segurança da doação.

O procedimento de doação de sangue dura em torno de 10 a 20 minutos. Geralmente o cão ou gato é colocado em decúbito lateral e não são utilizadas sedação nem anestesia. Durante a doação, o bem-estar do doador deve ser constantemente monitorado e a bolsa cuidadosamente homogeneizada para evitar a formação de coágulos e possibilitar a continuidade do procedimento.

O doador deve receber alimento e água após a doação e evitar exercícios físicos intensos ao longo do dia. Após a doação, todos os doadores recebem “lanchinho” (petiscos) e muito carinho como uma forma de agrado pelo ato solidário.

 

Benefícios para o doador

A cada doação, o cão recebe gratuitamente um verdadeiro “check-up”. São realizados exames de sangue gerais, como hemograma e acompanhamento da função renal e enzimas hepáticas, e exames específicos para doenças infecciosas transmitidas pelo sangue. Nos cães são testados: Leishmaniose (zoonose transmitida por mosquito do gênero Lutzomyia), Dirofilariose (verme que pode se instalar no coração causando doença grave), Ehrlichia canis (doença muito comum no país, transmitida pelo carrapato, em que o cão pode permanecer assintomático por anos), Doença de Lyme (transmitida pelo carrapato caracterizada por inflamações das articulações e febre) e Brucelose (doença transmitida principalmente pelo acasalamento que pode causar abortos). Nos gatos são testados: FIV (Imunodeficiência Viral Felina, doença contagiosa responsável por queda de imunidade e que não possui cura), FeLV (Leucemia Viral Felina, doença contagiosa sem cura que pode desencadear neoplasias e baixa imunidade) e Micoplasmose (doença que causa anemia).

As doações de sangue podem ser realizadas a cada dois meses. Através da doação de sangue regular é possível controle geral de saúde e detecção precoce de doenças infecciosas do cão e do gato.

 

Requisitos para um cão doador

  • Ser saudável.
  • Temperamento dócil.
  • Idade entre 1 e 8 anos.
  • Peso mínimo de 27 kg.
  • Não ser obeso.
  • Vacinação e Vermifugação atualizadas.
  • Controle de pulgas e carrapatos.
  • Não apresentar doença ou transfusão prévia.
  • No caso de fêmeas, não podem estar prenhes e nem no cio.

 

Requisitos para um gato doador

  • Temperamento dócil.
  • Peso mínimo de 4 kg.
  • Não ser obeso.
  • Idade entre 1 e 7 anos.
  • Vacinação e vermifugação atualizadas.
  • Controle de pulgas e carrapatos.
  • Não apresentar doença ou transfusão prévia.
  • No caso de fêmeas, não podem estar prenhes e nem no cio.

 

Tipos sanguíneos

Em Medicina Veterinária, a transfusão sanguínea é espécie-específica, ou seja, cães só podem receber sangue de cães e gatos somente sangue de gatos. Cães e gatos também possuem grupos/tipos sanguíneos, assim como nós humanos. Gatos possuem sangue do tipo A, B e AB e cães possuem mais de 20 tipos diferentes de sangue descritos, conhecidos como DEA (Dog Erithrocyte Antigen).

Antes de uma transfusão sanguínea deve-se realizar o teste de compatibilidade sanguínea entre o sangue do doador e do receptor. Um resultado compatível não significa que o doador e o receptor possuem o mesmo tipo sanguíneo, mas que não foram detectados anticorpos no soro do receptor contra as hemácias do doador, prevenindo a ocorrência de reação transfusional hemolítica aguda.

Lilian Fugimura atua na Pets & Life e é parceira do Hospital Veterinário Cães e Gatos 24h.

 

 

 

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