Aquarismo – Os Discos Selvagens

Eles pertencem à família Cichlidae, a maior entre os peixes de água doce.

Nesse grupo estão inclusos cerca de 105 gêneros e 1.900 espécies com uma ampla distribuição geográfica nas Américas, África, Madagascar, litoral sul da Índia, Sri Lanka e Oriente Médio.

Os discos são classificados em duas espécies catalogadas, Symphysodondiscus e Symphysodonaequifasciatus e cinco subespécies que são: S. discusdiscus, S. discuswillischwartzi; S. aequifasciatusaxelrodi; S. aequifasciatusaequifasciatus; e S. aequifasciatusharaldi. Contudo, há muitas ponderações em relação a essas nomenclaturas. Como os discos apresentam uma ampla distribuição geográfica e essas espécies não têm como hábito fazer grandes deslocamentos, a taxonomia da espécie é bem complexa e, assim como outras espécies amazônicas, muitos pesquisadores têm identificado que nesse gênero há intenso processo de especiação fazendo da filogenia do gênero um campo bem propício para ser estudado.

De toda forma o gênero pode ser caracterizado por possuir cariótipo 2n = 60 cromossomos (Feldberg et al 2003). A distinção visual entre as espécies é feita pelo padrão de coloração, baseando-se na presença, S. discus, ou ausência, S. aequefaciatus, de faixa escura vertical na região média, bilateral, destacada das demais pela maior largura e intensidade de pigmentação.

Os hábitos sedentários do gênero associado à vastidão da bacia de ocorrência, amazônica, e o isolamento geográfico são os fatores que provavelmente geraram a diversidade de padrões de cores encontradas no ambiente natural (Morais, 2005).

Na Natureza observam-se exemplares com características intermediárias às espécies supramencionados e os animais de coloração atípica ou extremamente pronunciada são comercializados por altos valores a aquaristas e produtores interessados em melhoramento de plantéis (Motta, 1996).

No mercado internacional, os acarás-discos selvagens sempre foram valorizados e recentemente essa tendência também migrou para o mercado nacional, possivelmente devido à cotação do dólar que nos últimos anos foi baixa, diminuindo a atratibilidade em exportar esses peixes e ao mesmo tempo possibilitando que mais brasileiros viajassem e também conhecessem os nossos discos, despertando a vontade de criá-los.

A principal característica que os aquaristas buscam em um disco selvagem é o seu padrão de coloração que é bem diferente dos discos domesticados. Os peixes costumam ser bem redondos e com azuis bem estriados pelo seu corpo. Outro ponto que valoriza os peixes selvagens é a coloração dos seus olhos. Os que possuem olhos vermelhos costumam ser mais caros.

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Sem considerar a nomenclatura científica, há pelo menos 20 morfotipos de discos selvagens comercializados. Pois são classificados de acordo com o rio encontrado, o padrão das estrias pelo seu corpo, cor dos olhos, formato do disco.

Os discos selvagens mais valorizados são os royais e os mais procurados pelos aquaristas, por ser mais difícil encontrá-los. Eles precisam ter o corpo fechado por estrias azuis e essas estrias vindo da cabeça até o final de seu corpo. Se o corpo não for totalmente estriado ele é classificado como semiroyal, já perdendo valor no mercado.

No geral os peixes selvagens são comercializados no mínimo há 30 dólares e no máximo até 300 dólares pelos exportadores, fazendo com que os preços nas lojas do Exterior possam alcançar até 500 dólares por um peixe com bom padrão. Já no Brasil esses selvagens já são encontrados com preço mínimo de 50 reais e no máximo de 300 reais, isso se dá porque muitos lojistas já têm parcerias com alguns desses exportadores.

Alguns cuidados devem ser tomados na aquisição desses discos para a comercialização deles em sua loja. Saber se ele passou por uma boa quarentena, pois geralmente os peixes selvagens possuem uma carga de patógenos que possivelmente devem ser extintos durante essa quarentena com alguns produtos encontrados à venda nas lojas e alguns naturais como a folha de cattapa ou castanheira e sal virgem para matar alguns fungos e diminuir o estresse. Deve-se certificar se os peixes estão se alimentando por serem oriundos do ambiente natural. Quando colocamos em aquários, eles acabam estranhando e tendo que passar por um processo de adaptação para poder comer a ração.

O ambiente ideal para esses peixes deve ser o mais próximo do seu natural. Aquário no qual possa colocar um pequeno cardume de até cinco indivíduos com o layout o mais natural possível do seu habitat, água com cor de chá, com troncos, galhos e raízes espalhados pelo aquário, com pouca iluminação e uma boa qualidade de água, assim os discos irão se adaptar com mais facilidade, alimentando-se e abrindo suas belíssimas cores naturais, sendo perceptíveis as diferenças de um para o outro, observando esses pequenos detalhes.

Ryuller Reis — Engenharia de Pesca, UFPA.

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